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  • Legislação Portuguesa de Protecção Radiológica: Guia Completo para Hospitais

    ⚖️ LEGISLAÇÃO PORTUGUESA

    Legislação Portuguesa de Protecção Radiológica: Guia para Hospitais e Serviços de Radioterapia

    Decreto-Lei 108/2018, Directiva Euratom 2013/59 e obrigações de controlo de qualidade — o que os serviços de saúde precisam de saber e cumprir

    2018
    Decreto-Lei 108/2018 em vigor
    BSS
    Basic Safety Standards transpostos
    100%
    Obrigatório para todos os serviços com radiações
    QA
    Controlo de qualidade regular exigido por lei

    Enquadramento Legal da Protecção Radiológica em Portugal

    A protecção radiológica em Portugal é regulada por um quadro legislativo que combina legislação nacional, directivas europeias e orientações da DGS (Direcção-Geral da Saúde). Este enquadramento impõe obrigações específicas a todos os serviços de saúde que utilizam radiações ionizantes — desde a radioterapia à imagiologia diagnóstica.

    Para os serviços de radioterapia, o cumprimento destas normas não é opcional: é uma obrigação legal com consequências directas em caso de incumprimento, incluindo coimas e suspensão de licenças de funcionamento.

    Decreto-Lei 108/2018 — A Lei Base

    🇵🇹 Nacional

    DL 108/2018

    O Decreto-Lei n.º 108/2018, de 3 de Dezembro, é o diploma fundamental da protecção radiológica em Portugal. Transpõe para o direito nacional a Directiva Europeia 2013/59/Euratom (Basic Safety Standards).

    • Estabelece o regime jurídico da protecção contra radiações ionizantes
    • Abrange exposição médica, ocupacional e do público
    • Define obrigações de titulares de licença
    • Exige programa de garantia de qualidade
    • Regulamenta dosimetria de doentes e profissionais
    🇪🇺 Europeu

    Directiva 2013/59/Euratom

    A directiva-mãe que harmoniza as normas básicas de segurança radiológica em toda a União Europeia. Substituiu cinco directivas anteriores num único documento coerente.

    • Princípios ALARA (As Low As Reasonably Achievable)
    • Justificação, optimização e limitação de doses
    • Níveis de referência diagnósticos (DRL)
    • Requisitos para especialistas em física médica
    • Gestão de situações de emergência radiológica
    📋 Orientação

    Circular DGS 37/2009

    A Circular Informativa n.º 37/DSQC/DSCE de 2009 da DGS define orientações específicas para controlo de qualidade em equipamentos de radioterapia e imagiologia.

    • Define testes e frequências mínimas
    • Estabelece responsabilidades do físico médico
    • Recomenda protocolos internacionais (TG-142, IEC)
    • Orienta programas de dosimetria in vivo

    Directiva 2013/59/Euratom: Os Princípios Fundamentais

    A Directiva Euratom 2013/59, transposta pelo DL 108/2018, assenta em três princípios fundamentais da protecção radiológica:

    ⚖️

    1. Justificação

    Qualquer prática que envolva exposição a radiações ionizantes deve ser justificada — os benefícios devem superar os riscos. Aplica-se a novos procedimentos e à revisão de práticas existentes.

    📉

    2. Optimização (ALARA)

    As doses devem ser mantidas tão baixas quanto razoavelmente possível (ALARA), considerando factores económicos e sociais. Em radioterapia, significa dose máxima ao tumor com dose mínima ao tecido saudável.

    🛡️

    3. Limitação de Doses

    Limites de dose para profissionais e público. Trabalhadores expostos: 20 mSv/ano (média 5 anos, máximo 50 mSv/ano). Público: 1 mSv/ano. Doentes em radioterapia: sem limite de dose prescrita.

    ⚠️ Atenção: Em radioterapia, a optimização tem um significado especial — não é apenas minimizar dose, mas garantir que a dose prescrita é entregue com precisão. O controlo de qualidade dos equipamentos é o mecanismo principal para assegurar esta optimização.

    Circular Informativa DGS 37/2009

    A Circular Informativa da DGS complementa a legislação com orientações práticas para os serviços de saúde. Define responsabilidades específicas e recomenda protocolos para implementar programas de controlo de qualidade:

    • Responsável: O físico médico é responsável pela implementação e supervisão do programa de QA
    • Frequência: Testes diários, semanais, mensais e anuais conforme o tipo de equipamento
    • Protocolos: Recomenda adopção do TG-142 (AAPM) para aceleradores lineares
    • Documentação: Todos os resultados devem ser documentados e arquivados por no mínimo 5 anos
    • Acção correctiva: Procedimentos claros quando resultados excedem tolerâncias
    💡 Para um guia detalhado do protocolo TG-142, incluindo testes, tolerâncias e equipamentos recomendados, consulte o nosso Guia Completo TG-142.

    Evolução Cronológica da Legislação

    1996
    Directiva 96/29/Euratom — Primeiras normas de segurança radiológica harmonizadas na UE
    1997
    Directiva 97/43/Euratom — Protecção de doentes em exposição médica
    2002
    DL 180/2002 — Transposição portuguesa das directivas europeias anteriores
    2009
    Circular Informativa DGS 37/2009 — Orientações para QA em equipamentos de radioterapia e imagiologia
    2013
    Directiva 2013/59/Euratom (BSS) — Nova directiva unificada, substituindo cinco directivas anteriores
    2018
    Decreto-Lei 108/2018 — Transposição da BSS para o direito português (em vigor)

    Obrigações para Hospitais e Serviços de Saúde

    O DL 108/2018 impõe obrigações específicas a todas as entidades que utilizam radiações ionizantes em contexto médico:

    ObrigaçãoResponsávelFrequênciaBase Legal
    Programa de garantia de qualidadeTitular da licençaContínuoArt. 60.º DL 108/2018
    Controlo de qualidade dos equipamentosFísico médicoDiário/Mensal/AnualArt. 60.º + Circular DGS
    Dosimetria individual dos profissionaisTitular da licençaMensalArt. 40.º DL 108/2018
    Avaliação de dose aos doentesFísico médicoPor tratamentoArt. 57.º DL 108/2018
    Registo de doses e arquivo (5+ anos)Titular da licençaContínuoArt. 41.º DL 108/2018
    Formação contínua em protecção radiológicaProfissionaisPeriódicaArt. 20.º DL 108/2018
    Notificação de incidentes radiológicosTitular da licençaImediataArt. 63.º DL 108/2018
    Auditoria clínica independenteEntidade externaPeriódicaArt. 61.º DL 108/2018

    Controlo de Qualidade Obrigatório em Radioterapia

    A legislação exige um programa de controlo de qualidade estruturado que cubra todos os equipamentos utilizados em tratamentos de radioterapia. Os principais aspectos incluem:

    ☀️

    QA Diário

    Verificação de output, lasers, indicadores de distância e funcionalidades de segurança antes de iniciar tratamentos. Obrigatório para todos os aceleradores lineares.

    📊

    QA Mensal

    Testes mais detalhados de simetria, planura, energia do feixe, precisão MLC e qualidade de imagem CBCT. Conforme protocolo TG-142.

    🔬

    QA Anual

    Calibração absoluta (TG-51), verificação completa de todos os parâmetros mecânicos e dosimétricos. Inclui comissionamento de novos módulos.

    👤

    QA por Doente

    Verificação independente de planos IMRT/VMAT antes do primeiro tratamento. Dosimetria in vivo quando aplicável.

    💡 O protocolo AAPM TG-142 é a referência internacional adoptada em Portugal para definir os testes e tolerâncias do programa de QA em aceleradores lineares.

    Equipamento Necessário para Cumprir a Legislação

    Para implementar um programa de QA que satisfaça os requisitos do DL 108/2018 e as orientações da DGS, os serviços de radioterapia necessitam de equipamento específico para cada nível de verificação:

    Obrigatório — QA Diário

    ☀️ Daily QA 4 Pro

    Sistema de verificação diária que mede output, simetria, energia, tamanho de campo e uniformidade em menos de 5 minutos. Essencial para cumprir o QA diário exigido pela legislação.

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    Obrigatório — Perfis de Feixe

    📊 IC Profiler

    Array de câmaras de ionização para verificação mensal de perfis, simetria e planura. Substituiu a dosimetria por filme na maioria dos centros.

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    Obrigatório — QA IMRT/VMAT

    🎯 MapCHECK 3 / ArcCHECK

    Sistemas de verificação de planos de tratamento — obrigatórios para centros que realizam IMRT ou VMAT. Análise gamma automática para cada plano.

    Ver ArcCHECK →
    Obrigatório — Calibração Absoluta

    ⚡ Electrómetro + Câmaras de Ionização

    Para calibração absoluta anual segundo TG-51. O PC Electrometer e câmaras calibradas são essenciais.

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    Recomendado — Dosimetria Pessoal

    🛡️ Dosímetros Pessoais

    Dosimetria individual obrigatória para todos os profissionais expostos. Leitura mensal com registo em sistema certificado.

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    Recomendado — Gestão QA

    💻 OneQA

    Software de gestão centralizada do programa de QA. Gera relatórios automáticos, monitoriza tendências e facilita auditorias — documentação exigida pela legislação.

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    Como a Interphysix Ajuda

    A Interphysix é representante exclusiva da Sun Nuclear em Portugal, oferecendo soluções completas para ajudar os serviços de saúde a cumprir a legislação de protecção radiológica:

    🛒

    Equipamento de QA

    Fornecemos toda a gama Sun Nuclear para QA de aceleradores lineares — desde o QA diário ao comissionamento. Também representamos Fluke Biomedical, Mirion, RaySafe e outras marcas de referência.

    🎓

    Formação e Suporte

    Instalação, formação inicial e suporte técnico contínuo. Ajudamos a equipa de física médica a tirar o máximo partido do equipamento.

    🔧

    Serviço Técnico

    Manutenção preventiva e correctiva dos equipamentos. Calibração periódica e reparação com peças originais.

    📋

    Consultoria

    Aconselhamento na selecção de equipamento adequado às necessidades e orçamento de cada serviço. Propostas para concursos públicos.

    Perguntas Frequentes

    O QA diário do acelerador é obrigatório por lei?
    Sim. O DL 108/2018 exige um programa de garantia de qualidade que inclua verificações regulares dos equipamentos. A Circular DGS 37/2009 especifica que os testes diários devem ser realizados antes do início dos tratamentos, conforme os protocolos internacionais adoptados (TG-142).
    Quem é responsável pelo programa de QA?
    O titular da licença (geralmente o hospital/clínica) é o responsável legal. A implementação e supervisão do programa compete ao físico médico, que deve ter formação e competências reconhecidas em protecção radiológica.
    Quais as consequências do incumprimento?
    O incumprimento pode resultar em coimas (contraordenações), suspensão da licença de funcionamento, e em casos graves, responsabilidade criminal. Além disso, pode comprometer a acreditação hospitalar e a segurança dos doentes.
    O TG-142 é obrigatório em Portugal?
    O TG-142 não é directamente citado na lei, mas é o protocolo de referência recomendado pela DGS e adoptado pela comunidade de física médica portuguesa. Na prática, é o standard para definir o programa de QA de aceleradores lineares.
    Quanto custa implementar um programa de QA completo?
    O investimento depende do número de aceleradores e das técnicas realizadas. A Interphysix oferece soluções modulares que permitem implementar o programa por fases. Contacte-nos para uma proposta personalizada.

    Precisa de Ajuda com o seu Programa de QA?

    A Interphysix ajuda hospitais e clínicas a cumprir a legislação de protecção radiológica com equipamento de referência e suporte especializado.

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    Referências

    • Decreto-Lei n.º 108/2018, de 3 de Dezembro — Diário da República
    • Directiva 2013/59/Euratom do Conselho, de 5 de Dezembro de 2013 — EUR-Lex
    • Circular Informativa n.º 37/DSQC/DSCE — Direcção-Geral da Saúde, 2009
    • AAPM Task Group 142 — Quality assurance of medical accelerators. Med Phys. 2009;36(9):4197-4212
    • IAEA Safety Standards Series No. GSR Part 3 — Radiation Protection and Safety of Radiation Sources

    Última actualização: 26/04/2026

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