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  • Dosimetria Pessoal: Tipos de Dosímetros e Normas

    A dosimetria pessoal é o conjunto de métodos e equipamentos utilizados para medir e registar a dose de radiação ionizante recebida por cada trabalhador individualmente. Em Portugal, a sua implementação é obrigatória para todos os trabalhadores expostos profissionalmente a radiações ionizantes, ao abrigo do Decreto-Lei n.º 108/2018, de 3 de dezembro, que transpõe a Directiva 2013/59/Euratom para o ordenamento jurídico nacional.

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    Este artigo apresenta os principais tipos de dosímetros pessoais disponíveis no mercado, as normas internacionais aplicáveis, os limites de dose estabelecidos pela ICRP e as boas práticas de utilização.

    O Que é a Dosimetria Pessoal e Porquê é Obrigatória

    A dosimetria pessoal tem como objectivo garantir que a exposição ocupacional a radiações ionizantes se mantém dentro dos limites legais e, idealmente, tão baixa quanto razoavelmente praticável (princípio ALARA — As Low As Reasonably Achievable). Cada trabalhador classificado como trabalhador exposto de categoria A ou B deve usar um dosímetro individual que registe a dose acumulada ao longo do tempo.

    A obrigatoriedade legal decorre de vários instrumentos normativos:

    • Decreto-Lei n.º 108/2018 — transpõe a Directiva 2013/59/Euratom; define limites de dose, requisitos de monitorização e obrigações do empregador em Portugal.
    • ICRP Publication 103 — recomendações da Comissão Internacional de Protecção Radiológica, adoptadas internacionalmente; define os limites de dose eficaz para trabalhadores e público em geral.
    • IEC 62387:2020 — norma internacional que define os requisitos de desempenho para dosímetros de radiação passivos utilizados em dosimetria pessoal e ambiental.

    Limites de Dose Estabelecidos (ICRP 103 / DL 108/2018)

    Grupo Dose Eficaz (corpo inteiro) Cristalino Pele / Extremidades
    Trabalhadores expostos 20 mSv/ano (média em 5 anos consecutivos); máx. 50 mSv em qualquer ano isolado 20 mSv/ano 500 mSv/ano
    Público em geral 1 mSv/ano 15 mSv/ano 50 mSv/ano
    Aprendizes (16–18 anos) 6 mSv/ano 15 mSv/ano 150 mSv/ano

    Tipos de Dosímetros Pessoais

    Existem várias tecnologias de dosimetria pessoal, cada uma com características próprias quanto a sensibilidade, faixa de energia, capacidade de leitura em tempo real e custo. A escolha do dosímetro adequado depende do contexto de trabalho, das radiações envolvidas e dos requisitos regulatórios.

    1. Dosímetros Termoluminescentes (TLD)

    Os dosímetros termoluminescentes (TLD — Thermoluminescent Dosimeters) são os mais utilizados em programas de dosimetria individual em hospitais, clínicas de radiologia e instalações nucleares. Funcionam com base no fenómeno de termoluminescência: o material detector (geralmente fluoreto de lítio, LiF, ou fluoreto de cálcio, CaF₂) absorve e armazena energia da radiação incidente sob a forma de electrões em estados metaestáveis. Quando aquecidos, esses electrões regressam à posição de equilíbrio e emitem luz proporcional à dose recebida.

    Características principais dos TLD:

    • Excelente reprodutibilidade e linearidade para gama e raios X
    • Faixa de detecção: tipicamente 0,01 mSv a 10 Sv
    • Leitura destrutiva (o sinal é apagado durante a leitura)
    • Reutilizáveis após leitura e regeneração
    • Conformidade com IEC 62387:2020

    A Interphysix distribui o Leitor de TLD Harshaw Modelo 3500 da Thermo Scientific — um dos leitores TLD de referência a nível mundial, amplamente utilizado em laboratórios de dosimetria, hospitais e serviços de medicina nuclear.

    2. Dosímetros de Luminescência Opticamente Estimulada (OSL)

    Os dosímetros OSL (Optically Stimulated Luminescence) utilizam óxido de alumínio dopado com carbono (Al₂O₃:C) como material detector. Em vez de calor, a estimulação é feita por luz laser ou LED, o que permite leituras múltiplas sem perda significativa do sinal armazenado. Esta característica torna os OSL especialmente adequados para verificações parciais e auditorias de dose.

    Vantagens dos OSL relativamente aos TLD:

    • Leitura não destrutiva — é possível reler o mesmo dosímetro várias vezes
    • Maior sensibilidade a doses baixas (útil para controlo de qualidade de doses muito baixas)
    • Registo permanente de dose — o material pode ser preservado para auditorias futuras
    • Resposta plana em energia para raios X diagnósticos

    3. Dosímetros Electrónicos Pessoais (EPD)

    Os dosímetros electrónicos pessoais (EPD — Electronic Personal Dosimeters) fornecem leitura de dose em tempo real e são frequentemente utilizados como complemento aos dosímetros passivos (TLD ou OSL). São obrigatórios em áreas controladas onde existe o risco de exceder limites de dose, pois permitem ao trabalhador monitorizar a sua exposição instantaneamente e acionar alarmes configuráveis.

    Características dos EPD:

    • Leitura em tempo real de Hp(10) (dose eficaz equivalente) e taxa de dose
    • Alarmes programáveis de dose e taxa de dose
    • Memória interna e interface de dados (USB, Bluetooth ou infravermelhos)
    • Conformidade com IEC 61526 (dosímetros electrónicos individuais)

    A Interphysix disponibiliza dosímetros EPD da Thermo Scientific, nomeadamente os modelos da série RadEye G Series — medidores pessoais de taxa de dose gama com alta sensibilidade — e o EPD TruDose da Mirion Technologies, concebido especificamente para aplicações de protecção radiológica de precisão. O RadEye NBR é particularmente indicado para monitorização de radiação gama de alta sensibilidade.

    4. Dosímetros de Filme (Film Badge)

    Os dosímetros de filme foram durante décadas o padrão da dosimetria individual. Consistem numa emulsão fotográfica especial sensível a radiações ionizantes. A dose é determinada pela análise óptica do escurecimento do filme após revelação. Embora menos utilizados actualmente, ainda são mantidos em alguns programas de dosimetria nacionais devido ao seu registo permanente e à possibilidade de análise post-hoc.

    Limitações dos dosímetros de filme:

    • Sensíveis a temperatura, humidade e luz (risco de leitura incorrecta)
    • Processo de leitura demorado (requer laboratório de processamento)
    • Linearidade limitada para doses muito baixas ou muito altas
    • Em grande parte substituídos por TLD e OSL nos programas modernos

    Comparação Resumida das Tecnologias

    Tecnologia Leitura em tempo real Reutilizável Sensibilidade mínima Norma aplicável
    TLD Não Sim ~0,01 mSv IEC 62387
    OSL Não Parcialmente ~0,01 mSv IEC 62387
    EPD Sim Sim ~0,001 mSv IEC 61526
    Filme Não Não ~0,1 mSv ISO 1757

    Normas e Regulamentação Aplicável

    IEC 62387:2020

    Esta norma internacional especifica os requisitos de desempenho para dosímetros passivos utilizados em dosimetria individual e ambiental para radiação fotónica, electrões e neutrões. Define critérios de aceitação para precisão, resolução, resposta em energia e directividade. Os dosímetros TLD e OSL utilizados em programas oficiais de dosimetria devem cumprir esta norma.

    ICRP Publication 103 (2007)

    As recomendações mais recentes da Comissão Internacional de Protecção Radiológica (ICRP) estabelecem o sistema de protecção radiológica com base nos princípios de justificação, optimização (ALARA) e limitação de dose. Os limites de dose eficaz para trabalhadores são de 20 mSv/ano em média num período de 5 anos consecutivos, com um máximo de 50 mSv em qualquer ano isolado.

    Decreto-Lei n.º 108/2018 (Portugal)

    Este diploma transpõe a Directiva 2013/59/Euratom para o direito português. Estabelece as normas de segurança de base relativas à protecção contra os perigos resultantes da exposição a radiações ionizantes. Define as obrigações do empregador em matéria de monitorização individual, classificação de trabalhadores (Categoria A e B), registos de dose, e o papel do médico do trabalho e do perito qualificado em protecção radiológica.

    Boas Práticas de Utilização de Dosímetros Pessoais

    Posicionamento Correcto

    • Dosímetro de corpo inteiro: usar ao nível do tronco (preferencialmente entre o pescoço e a cintura), do lado da fonte de radiação. Em radiologia diagnóstica, normalmente ao nível do colar da bata de chumbo.
    • Dosímetro de extremidades (anel ou pulso): usar na mão dominante, com o detector voltado para a fonte.
    • Dosímetro de cristalino: usar ao nível da têmpora ou em óculos específicos, indicado para profissionais com elevada exposição à radiação X dispersa (p. ex., intervenção cardiológica).

    Troca Periódica e Registos

    • Respeitar a periodicidade de troca definida pelo serviço de dosimetria (mensal ou trimestral, consoante o nível de exposição e o tipo de dosímetro).
    • Nunca usar um dosímetro vencido ou danificado.
    • Guardar os registos individuais de dose durante, pelo menos, 30 anos após o fim da actividade profissional (conforme DL 108/2018).
    • Comunicar ao responsável de protecção radiológica qualquer anomalia ou suspeita de exposição acidental.

    O Que Evitar

    • Não deixar o dosímetro exposto à radiação enquanto não está a ser utilizado (p. ex., dentro da sala de raios X sem o trabalhador).
    • Não guardar o dosímetro perto de fontes de calor, luz intensa (para OSL) ou campos electromagnéticos intensos (para EPD).
    • Não partilhar dosímetros entre trabalhadores.

    Soluções Interphysix para Dosimetria Pessoal

    A Interphysix, enquanto distribuidor autorizado da Thermo Scientific e da Mirion Technologies em Portugal, oferece um portfólio completo para programas de monitorização individual:

    • Leitor de TLD Harshaw Modelo 3500 (Thermo Scientific) — sistema de referência para leitura e processamento de dosímetros TLD; amplamente utilizado em laboratórios de dosimetria e hospitais.
    • EPD TruDose (Mirion Technologies) — dosímetro electrónico de precisão para protecção radiológica, com alarmes programáveis e memória de dose.
    • RadEye G Series (Thermo Scientific) — medidores pessoais de taxa de dose gama, ideais para monitorização em tempo real em ambientes de trabalho.
    • RadEye NBR (Thermo Scientific) — monitor portátil de radiação gama de alta sensibilidade, adequado para medicina nuclear e indústria.

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    Perguntas Frequentes sobre Dosimetria Pessoal

    Quem é obrigado a usar dosímetro pessoal em Portugal?

    Todos os trabalhadores classificados como trabalhadores expostos de Categoria A (exposição superior a 6 mSv/ano ou a doses equivalentes superiores a 3/10 dos limites de extremidades) e de Categoria B (exposição entre 1 mSv/ano e os limites da Categoria A) estão sujeitos a monitorização individual ao abrigo do DL 108/2018. Inclui técnicos de radiologia, médicos e enfermeiros em radiologia de intervenção, trabalhadores de medicina nuclear, radioterapeutas e trabalhadores da indústria nuclear.

    Qual é a diferença entre TLD e OSL?

    Ambas são tecnologias de dosimetria passiva que medem dose acumulada. A principal diferença é o método de leitura: os TLD são lidos por aquecimento (termoluminescência), sendo a leitura destrutiva; os OSL são lidos por estimulação luminosa (laser ou LED), podendo ser relidos múltiplas vezes sem apagar o sinal. Os OSL oferecem também maior sensibilidade a doses muito baixas e a possibilidade de preservar o registo para auditorias futuras.

    Um dosímetro electrónico (EPD) substitui o dosímetro passivo (TLD/OSL)?

    Em Portugal, os EPD são geralmente utilizados como complemento aos dosímetros passivos. A legislação nacional (baseada na Directiva 2013/59/Euratom) considera o dosímetro passivo lido por um laboratório acreditado como o registo oficial de dose. Os EPD fornecem informação em tempo real, essencial para controlo operacional e alarmes, mas não substituem o registo legal de dose efectuado por dosimetria passiva em muitos contextos regulatórios.

    Com que frequência devo trocar o dosímetro?

    A periodicidade de troca depende do tipo de dosímetro e do nível de exposição estimado. Para trabalhadores de Categoria A, a monitorização individual deve ser mensal. Para Categoria B, pode ser trimestral. Em qualquer caso, o prazo máximo recomendado para TLD e OSL é de 3 meses. Programas com elevada exposição (radiologia de intervenção, medicina nuclear) utilizam habitualmente periodicidade mensal.

    O que fazer se suspeito de uma exposição acidental elevada?

    Se suspeitar de uma exposição não programada ou acidental, deve: (1) comunicar imediatamente ao responsável de protecção radiológica; (2) não remover nem manipular o dosímetro para evitar perda de evidência; (3) o dosímetro deve ser enviado de imediato para leitura urgente ao laboratório de dosimetria; (4) registar as circunstâncias do incidente. O empregador é obrigado por lei a investigar e registar qualquer exposição acidental superior a 1 mSv.

    Os dosímetros medem todos os tipos de radiação?

    Depende do tipo de dosímetro e da sua composição. Os TLD padrão de LiF são adequados para fotões (raios X e gama) e electrões. Para neutrões, são necessários materiais específicos (p. ex., TLD-600 com ⁶Li ou TLD-700 com ⁷Li em combinação). Os EPD modernos dispõem habitualmente de detectores separados para fotões e neutrões. É fundamental seleccionar o dosímetro adequado ao tipo de radiação presente no posto de trabalho.

    O que é o princípio ALARA e como se aplica à dosimetria?

    ALARA (As Low As Reasonably Achievable) é o princípio fundamental da protecção radiológica que recomenda manter a dose de radiação tão baixa quanto razoavelmente praticável, tendo em conta factores económicos e sociais. Na prática, implica optimizar procedimentos, utilizar blindagens adequadas, limitar o tempo de exposição e aumentar a distância à fonte. A dosimetria pessoal é a ferramenta que permite verificar se os resultados das medidas de optimização são efectivos e se os limites legais são respeitados.

    Última actualização: 01/07/2026

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